"Brasil é laboratório mundial de cosméticos"
Grupo L´Oréal

Laurent Attal, Vice-Presidente de Pesquisa e Inovação da L´Oréal, veio ao país para inauguração do novo Centro de Pesquisa 

Em visita ao Brasil para a abertura do novo Centro de Pesquisa & Inovação da L´Oréal, na Ilha de Bom Jesus, no Rio de Janeiro, Laurent Attal, Vice-Presidente de Pesquisa e Inovação do Grupo concedeu uma entrevista exclusiva para a coluna “Conte Algo que não Sei”, do jornal O Globo, onde falou sobre a importância do Brasil no mercado de beleza mundial, a diversidade de tipos de cabelo e pele e as peculiaridades da rotina de beleza das brasileiras.

Conte Algo que não Sei.

No começo dos anos 2000, a L’Oréal iniciou estudos para classificar os tipos de cabelo no mundo. Chegamos a oito tipos básicos de cabelo, do mais liso ao mais encaracolado. O fascinante é que o maior número de tipos de cabelos é encontrado no Brasil. Usamos mais de 10 mil brasileiras e achamos todos os oito tipos de cabelos aqui. Isso é um retrato da miscigenação do povo brasileiro. O Brasil é um grande laboratório mundial de cosméticos.

Essa miscigenação cientificamente provada também se vê na pele?

Quando falamos de tons de pele, no mundo existem cerca de 66 colorações. No Brasil, identificamos 55 desses tons. Na índia, temos 41 tons, e na Espanha, 25. O Brasil é muito rico em diversidade.

Este ano, pela primeira vez, a busca no Google por ‘cabelo cacheado’ foi maior do que por ‘cabelo liso’. A empresa percebeu esse empoderamento das consumidoras? Diminuiu o número de alisamentos?

Sim. Não foi só no Brasil, mas, no últimos anos, começou a existir um movimento forte pelo cabelo natural, e de mulheres que deixaram de alisar. Com isso, a busca por produtos que deixam os cachos bonitos aumentaram bastante. E isso é muito desafiador pra nós. Porque cabelo exige muita inovação.

O tempo todo você se refere ao consumo no feminino. Os homens no Brasil no são vaidosos?

Os homens ainda consomem produtos muito específicos, basicamente para a barba. Ainda é pequeno o número de homens que investem em estética. Normalmente, eles usam produtos comprados por mulheres. Em geral, usam os produtos que as mães, mulheres, irmãs e amigas têm. Protetor solar é um exemplo disso. Nossa publicidade masculina ainda é indireta nesse caso.

Como é o padrão de consumo da brasileira?

As brasileiras são vaidosas. São umas das maiores consumidoras de beleza do mundo. Isso acontece por dois motivos: o fato de que estar bonita faz parte da cultura local, e o estilo de vida do país. Vocês têm dias quentes e muito sol o ano inteiro em grande cidades, onde a poluição também é um fator. Com isso, a brasileiras acabam consumindo muito protetor solar, já que os raios UVA e UVB são intensos. Além disso, por causa do calor, querem se sentir frescas. A brasileira tem três pilares de beleza. Primeiro, cuidado com o cabelo. As mulheres no Brasil usam em média quatro produtos de cabelo por dia. Segundo, proteção solar e cuidados que envolvem a exposição ao sol. Terceiro, produtos de higiene e desodorantes. Essa sensação de limpeza é muito importante. Mulheres brasileiras tomam cerca de três banhos por dia.

Existe hoje uma demanda maior por produtos mais ecológicos?

Sim. Existe uma procura por materiais menos sintéticos, naturais e biodegradáveis. Algumas marcas não usam testes com animais há mais de 20 anos. Para isso, criamos um protótipo que imita a pele humana. Ela tem as mesmas terminações nervosas da pele e reações alérgicas. A empresa vende esse protótipo para outras marcas que queiram deixar de usar animais em seus testes. Isso é uma preocupação quase geral.