O Desafio de Engajar as Novas Gerações
Grupo L´Oréal

Fabio Rosé, diretor de recursos humanos da L’Oréal Brasil foi autor convidado da revista hsm management.

O Desafio de Engajar as Novas Gerações

“Mais de 50% da força de trabalho é composta por jovens, e eles não se reconhecem nas empresas”, afirma Fabio Rosé, diretor de Recursos Humanos da L’Oréal Brasil. Em novembro, ele foi convidado para publicar um artigo sobre os desafios de adequar o modelo de gestão das empresas a presença crescente das gerações X, Y e millennials no mercado de trabalho.

No artigo, Fabio explica que as novas gerações são muito mais digitais, querem tudo ao mesmo tempo e imediatamente. Isso, combinado ao avanço tecnológico está forçando as organizações a se transformarem para corresponderem um pouco mais às expectativas desses jovens que questionam todo o ambiente que os cerca e não se veem por muito tempo na mesma empresa. De acordo com o diretor, “são as organizações que saem ganhando: amadurecem em sua cadeia de valor e rejuvenescem em seu espírito empreendedor”.

Leia na íntegra o artigo:

“Faz alguns anos que acompanhamos universidades, consultorias e grandes empresas que estudam o impacto dos millennials em diferentes esferas da sociedade. A presença crescente das gerações Y e Z vem transformando nossos padrões comportamentais, rompendo paradigmas e colocando outros em seu lugar. É impossível não notar as diferenças entre a vida cotidiana atual e a que levávamos há uma década.

Trazendo em sua mochila a evolução digital, a geração do “tudo ao mesmo tempo e agora” alcança idade adulta no momento em que nosso sistema está se reconfigurando com uma série de ajustes importantes. Algumas principais mudanças são observadas no comportamento de consumo, nos modelos de família, nas referências sociais clássicas e, naturalmente, no campo profissional e no ambiente corporativo.

As organizações estão sendo impactadas de maneira acentuada tanto pela modernização tecnológica quanto pelas características das novas gerações que integram o ambiente de trabalho – sejam suas expectativas e preferências, suas capacidades e fragilidades, seus conhecimentos e comportamentos, sua forma de relacionar-se consigo e com o mundo.

Hoje, mais da metade da força de trabalho é composta por esses jovens, e a maioria absoluta questiona o ambiente e os códigos de valores encontrados nas empresas, questiona seu propósito, sua conduta ética, sua responsabilidade social. Esses jovens não se reconhecem no ambiente do século passado que persiste nas empresas, e isso impacta diretamente o modo como projetam seu futuro profissional. Mais de 90% não se veem nas empresas por mais de cinco anos e mais de 70% pretendem empreender de maneira independente em algum momento de sua trajetória. Para eles, o trabalho precisa legitimar seu estilo de vida e, como a inovação constante ficou viável, o “emprego”, o “cargo”, e a estabilidade passaram a ser secundários. Importa a experiência – e importa que seja compartilhada.

Como as empresas devem agir diante disso? Algumas têm conseguido criar um ambiente capaz de atrair e manter esses jovens com alto nível de engajamento por exemplo. Seu diferencial frequentemente é o fato de já terem sido criadas sem os vícios que formam as gerações anteriores de líderes. Algumas companhias, mais tradicionais, também largaram na frente ao entenderem a necessidade de flexibilizar seus modelos organizacionais e eliminar hierarquias desnecessárias. Elas estão se concentrando em liberar a energia potencial de seus funcionários, uma vez que a inovação e a criatividade demandam colaboração e agilidade.

O fato é que, no esforço para acomodar as novas gerações, as organizações saem ganhando: amadurecem em sua cadeia de valor e rejuvenescem em seu espírito empreendedor. Elas se tornam lugares muito mais dinâmicos, diversos, atrativos e vivos. O imperativo de atrair e reter os jovens talentos é a desculpa perfeita para reinventar nosso modelo de gestão, simplificando-o e humanizando-o.